PREÇO DE UM PASSEIO


Preços ainda caros nas rodovias

Rodovia dos Tamoios – Divulgação

O atendimento ao usuário tem melhorado cada dia nas rodovias estaduais paulistas e, em especial, naquelas que foram privatizadas pelo Governo. Apesar de ter de aplaudir as iniciativas que retiram do Governo o domínio e administração de setores importantes para a sociedade, é imperioso dizer que nem tudo o que se privatiza resultaa em serviços perfeitos ou preços que condizem com o que a sociedade precisa.  Atualmente, uma parte das rodovias sob concessão de empresas privadas já apresentou melhorias que as transformaram em canais de escoamento de produção agrícola, industrial e comercial, já que, por elas, passam inúmeros caminhos transportando mercadorias diversas.

A qualidade das rodovias facilita esse transporte, economiza tempo e dinheiro para os fabricantes, exportadores ou fornecedores e, claro, amplia a possibilidade de o mercado também ser beneficiado com essa estrutura. Por outro lado, o usuário comum que precisa se deslocar entre as cidades em função de estudos ou profissionalmente também percebe quanto uma rodovia em boa estado lhe dá garantias de chegar ao destino dentro do horário previsto e de forma segura. Assim, também, o usuário comum, que faz uso das rodovias para suas viagens, passeios e lazer com a família nos fins de semana, feriados comemorativos como os que aproveitamos neste mês de abril ou nos períodos de férias do trabalho ou de estudos.

Também é importante ressaltar que não é só a capacidade estrutural das pistas de receber o fluxo de veículos como também existe a preocupação das concessionárias em prestar o devido atendimento aos casos de emergências e acidentes, principalmente, 24 horas por dias, garantindo o socorro e, consequentemente, o respeito à vida, a segurança física e material nos casos de pane. Poderia ser sim um editorial comentando que os resultados acerca da diminuição no número de mortes em feriado, como ocorreu, conforme a Artesp indicou (veja matéria a respeito em nosso noticiário), mas não é, porque ainda existem mortes, ainda existem acidentes e é preciso existir melhor formação dos motoristas e mais orientação nas estradas, além de fiscalização e controle, seja das próprias concessionárias ou das polícias estaduais e federais rodoviárias.

Soma-se ao descontentamento acerca da fiscalização, outras reclamações que ainda necessitam ser citadas aqui. Nossa opinião é que o faturamento das empresas concessionárias tem crescido paulatinamente com o aumento da frota de veículos que circulam pelas rodovias enquanto os valores pagos nas praças de pedágio só aumentam, quando deveriam diminuir. No Brasil, pagamos pelos quilômetros rodados na rodovia que geram valores altíssimos, mas que não são abertos, de forma transparente, aos usuários. Por enquanto, como tudo o que se trata de serviços públicos, onde opera o interesse de grupos que administram o poder, é suspeito manter valores ainda altos e sem controle de qual trajeto o usuário usa na rodovia.

Em países de primeiro mundo, o pedágio segue a lógica de que você sai de uma cidade para outra e pagará pelo que utilizou dos serviços, como já existe, por exemplo, nas saídas para São Bernardo do Campo, Santo André, pela Rodovia dos Imigrantes, administrada pela Ecovias. Porém, há casos absurdos como acessar o Rodoanel Mário Covas na cidade de Suzano sentido Rodovia Ayrton Senna ou Presidente Dutra e pagar R$ 2,40 (no Rodoanel) e, depois, ao acessar a rodovia, desembolsar R$ 3,50 da Ecopistas (concessionária da Ayrton Senna). Você roda apenas 4 Km do Rodoanel e mais 33 Km (em média) pela Ayrton Senna (até a Capital) e, ao final deste percurso, gastará R$ 5,90.

O que falar, portanto, de preços praticados em outras praças em que você tem uma cobrança na rodovia principal e depois pagar pela rodovia que liga municípios, e praças de pedágios dentro das cidades, como ocorre na Castelinho, por exemplo, em Sorocaba. Um planejamento seria bem vindo com a implantação de pagamentos nos acessos e saídas dos municípios para as rodovias e cobrança conforme a quilometragem a ser percorrida, já que a quantidade de usuários enche paulatinamente os cofres das concessionárias. Ou será que há ainda interesses políticos para se manter preços salgados nas rodovias privatizadas tão salgados assim?

É preciso traduzir a qualidade dos serviços oferecidos em maior procura e maior receita, mas em vez de aumentar o valor cobrado a quantidade de usuários já representaria, em razão da melhoria dessa qualidade e atendimento, em uma procura e aumento da receita, sem onerar mais ainda quem precisa de deslocamento rápido, seguro, orientado e perfeito. Se em países de primeiro mundo pouco se paga em termos de pedágios ou o que se paga se refere aos trechos percorridos, normalmente centavos de libras, euros ou dólar americano, por que no Brasil o valor é sempre muito alto chegando a dois dígitos em alguns casos?

Para quem viaja de moto, por exemplo, não são muitas as rodovias que oferecem segurança. Faixas sem previsão de velocidade, motoristas que trafegam muito abaixo da velocidade indicada como máxima, tem sempre causado acidentes graves. Não queremos aqui dizer que a velocidade deve ser liberada, pelo contrário, deve ser controlada, pois qualquer batida em alta velocidade causa estragos físicos enormes ou morte. Mas, estradas com faixas de rolamento diferenciadas em termos de velocidade, controle e fiscalização, atuação nos casos de velocidade acima do permitido, auxiliariam a diminuir o número de óbitos e de acidentes nas rodovias.

Se, em vez de ser característica única de uso dos recursos obtidos com o pedágio a satisfação dos empreendedores, diretores e donos das concessionárias, os recursos voltassem em investimentos, teríamos uma malha rodoviária excelente e que serviria para tornar o Brasil um país de turismo rodoviário, afinal, somos de um gigante com belezas naturais incríveis e escondidas por falta de acesso adequado, diferente do que temos em países como Estados Unidos, Canadá, Itália, Espanha, onde a malha rodoviária oferece amplas condições de se trafegar com cobranças adequadas pelos serviços, onde existem. Aqui, eles existem em quase todas as rodovias, mas oneram o já onerado cidadão que sustenta a classe política que nada faz e vende esses serviços para empresários quase sempre interessados tão somente nos lucros.


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